

Reforma Ortográfica - quem sai e quem fica?
Começa a valer a partir de 1º de janeiro de 2009 o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que mudará a grafia de cerca de 0,5% de nossas palavras. Entre as mudanças estão os fins do trema, do acento agudo em ditongos abertos ("idéia" será "ideia") e do acento circunflexo com duplos "e" e "o" ("vôo" será "voo").
Para o coordenador do curso de Letras da UTP, Sebastião Lourenço dos Santos, e da professora de Letras Maria de Lourdes Martins, o lado bom da reforma fica por conta da eliminação das diferentes escritas existentes. Acompanhe a entrevista completa e conheça o que muda a partir do ano que vem, inclusive em vestibulares!
UTP - O que é a Reforma Ortográfica?
Sebastião Lourenço - Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a reforma ortográfica é uma tentativa de padronizar a grafia entre Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) que abrangem Brasil, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Timor Leste, à semelhança do que existe entre as Academias de Língua Espanhola. Em segundo lugar, que a reforma é somente ortográfica, ou seja, as mudanças ocorrerão somente na escrita. E em terceiro, que, apesar de protocolarmente ser implantado a partir de 1º de janeiro de 2009, oficialmente haverá um prazo de transição até quatro anos (paulatinamente até 2012). Na transição, co-existirão as duas formas de escrita: a que estamos acostumados a escrever (com trema, hífen, acentos etc.) e a nova forma.
UTP - Por que padronizar?
Maria de Lourdes - Diria que o argumento principal para a reforma ortográfica da Língua Portuguesa é o fato de a nossa língua ser uma das mais faladas no mundo e a única que não é unificada. Certamente, aproximará as culturas dos países envolvidos. Com esta reforma não haverá necessidade mais de redigir dois documentos nas entidades internacionais: com a grafia de Portugal e do Brasil. Isto será desnecessário, bastando um único documento. Já pensou quanta economia haverá? Para o presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vilaça, “A língua é um ser vivo e tem que estar em dia com a vida, com acréscimos e reduções”.
UTP - Na sua opinião, o que a reforma tem de bom e o que tem de pior?
Sebastião Lourenço - Dizer se a reforma é boa ou ruim seria fazer uma asserção um tanto quanto sem nexo, haja vista que as mudanças atingirão somente 0,5% das palavras adotada no Brasil contra 1,6% dos demais países. Do ponto de vista operacional, no entanto, haverá um custo relativamente elevado, pois terão que ser reeditados todos os livros, revistas, artigos, ensaios e demais escritos na nova modalidade. Contudo, a medida visa a eliminação das diferentes escritas existentes. E é bom porque torna a grafia mais simples.
UTP - Quem sente mais a mudança no Brasil? Os jovens na escola ou os profissionais que já estão no mercado?
Maria de Lourdes - Não tenho dúvida de que todos sentirão esta mudança: uns mais outros menos. Digo isto porque você já passou pelo processo de aprendizagem a respeito das regras vigente, tendo envolvido: muitas leituras, ensinamentos, estudos, análises, pesquisas. Agora (des)fazer o que se aprendeu para processar outro não é fácil; requerem entre outros fatores muita habilidade e tempo de cada indivíduo, principalmente os alunos das Séries Iniciais e Ensino Fundamental (que ainda apresentam dificuldades sobre esse assunto).
Muitos profissionais, ao fazerem uso das regras ortográficas, na dúvida, consultam, pesquisam, e se informam para saná-las, imaginem agora os estudantes mirins. Mas para que todos possam familiarizar-se mais a respeito do tema em questão temos quatros anos (de 1º de janeiro 2009 a 31 de dezembro de 2012) período de transição no qual ficam valendo tanto a ortografia atual quanto as novas regras.
UTP - Quem fará vestibular no ano que vem precisa se preocupar em saber as novas regras?
Sebastião Lourenço - Esta reforma não causará nenhum impacto nos vestibulares deste fim de ano, uma vez que será cobrada a grafia tradicional, ou seja, as regras só mudarão a partir de janeiro do ano que vem. Até 20012 os concursos e vestibulares devem aceitar as duas formas de escrita: a atual e a nova. Segundo a Comissão de Língua Portuguesa (Colip) do Ministério da Educação, criada para representar o Brasil nas discussões sobre a unificação ortográfica, nenhum candidato poderá ser punido por escrever de acordo com as regras antigas.
UTP - Como os outros países estão trabalhando a questão da reforma Ortográfica?
Maria de Lourdes – Nesse caso pesa a cultura de cada país, pois as diferenças existem. Portugal sofreu muita pressão das editoras (livros que se encontravam no prelo, publicações realizadas etc), e de autoridades acadêmicas, antes de assinar este Acordo. Mas é assim mesmo, não vejo acordo sem haver discussão, principalmente quando se trata da terceira língua mais falada no mundo: a Língua Portuguesa (em primeiro vem a inglesa, e em segundo a espanhola).
HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista"
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada"
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição)
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo)
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo")
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo)
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica)
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y"
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem"
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo"
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia"
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca"
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem
ASSESSORIA DE IMPRENSA
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
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