Uraci Castro Bonfim, otimista por natureza!


Ele nasceu pobre e sofreu muita discriminação, mas venceu todas as dificuldades com muito estudo, perseverança e acima de tudo: otimismo! Conheça um pouco da história de vida do professor Uraci, que além de dar aulas na Universidade Tuiuti do Paraná coordena um amplo e importante trabalho de Avaliação Institucional.

 

 

1) Quando o senhor percebeu a vocação para a licenciatura? Qual a primeira experiência como professor?
U.B. A história é longa. Filho de família pobre em uma cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, como não podia deixar ser, sofria discriminação social. Entrei em um Grupo de Escoteiros em que a maioria era de classe média, naquela época bem distante da que eu pertencia. Queria me destacar e ser monitor de patrulha e depois guia do grupo. Em todas as provas de seleção eu me saia bem, mas outros eram promovidos. Restava ser melhor ainda, logo estudava mais que os outros e como sabia mais, passei a ensinar aos outros inclusive aos monitores e ao guia do grupo. Com isso consegui conquistar as funções desejadas chegando a ser chefe de grupo.

Vi que um caminho era estudar e ensinar aos outros para poder galgar posições mais altas. Eu tinha ainda um grande problema. Até os meus 18 anos, quando ficava nervoso ou tenso, tornava-me gago. Creio que foi neste período que passei a ter gosto pelo ensino. Depois lecionei para filhos de pessoas amigas para prestarem concurso para faculdades, para parentes mais novos que estavam em segunda época (coisa antiga), fui instrutor na AMAN, professor comissionado no colégio militar, em faculdades no Rio de Janeiro e depois na Tuiuti. Na carreira militar você passa uma grande parte da vida ensinando aos mais novos. Gosto de passar o conhecimento a outras pessoas.

 

2) E na Tuiuti, quando começou?
U.B. Comecei em 1982, quando me aposentei do Exército, mas parei em junho de 1996, pois tinha quatro empresas e ficou difícil de conciliar todas as atividades. Retornei a Tuiuti em 2000 e aqui ficarei até quando me quiserem ou ficar gagá, pois velho já estou.

 

3) Como era a sua relação com o professor Sydnei?
U.B. Creio que de grande amizade alicerçada no respeito, lealdade e confiança. Ele era uma pessoa muito inteligente, culta e perspicaz. Um homem alegre, gozador e sério. Por muitas ocasiões desabafávamos um com o outro não somente problemas profissionais, mas também alguns de nossos problemas pessoais. Após o falecimento de meu pai, o professor Sydnei passou a ser o meu conselheiro. 

 

4) O senhor não faz parte da Ouvidoria da UTP, mas tem muita facilidade de comunicação com os alunos. A que atribui isso?
U.B. De fato não sou da Ouvidoria, mas muitos alunos e colegas de diversas áreas me procuram. Creio que é a disponibilidade em ouvir e tentar orientar para um caminho que solucione o problema. Também acho que minha discrição ajuda.

 

5) Qual é a função do professor?
U.B. Na minha visão, o professor não é somente um transmissor de conhecimento, mas sim um orientador e educador mais amplo, para a vida, não só de discurso. Ele tem que estar disponível a ouvir os que o procuram, pois se o fazem é porque confiam nele e julgam que é importante.

 

6) Atualmente o senhor faz “Avaliação Institucional” na UTP. Como classifica esse trabalho? Como surgiu a idéia e como está sendo realizado?
U.B. Julgo ser um dos trabalhos da área administrativa, mais importante da instituição, desde que seja profissional, honesto e o mais impessoal possível. Pode auxiliar os diversos níveis de gestão da instituição a melhorar seu desempenho na atividade a que se propõe. A idéia foi do professor Sydnei e surgiu por volta de 1982, na busca da melhoria da qualidade de ensino na Tuiuti. De lá para os dias de hoje a UTP fez várias experiências com sucesso, melhorando a Avaliação Institucional. A partir de 2004, surgiu em termos obrigatórios por Lei Federal a Comissão Própria de Avaliação. Eu estou na Comissão desde 2002, quando fui convidado pelo Professor Frederico, então Presidente da Comissão de Avaliação Institucional. Com o seu afastamento, fui convidado a assumir a coordenação, onde estou até hoje.

 

7) Se tivesse que eleger uma lição importante para passar a seus alunos, qual seria?
U.B. Daria duas sugestões. A primeira seria a persistência na conquista dos objetivos maiores, mas sempre com ética e respeito às pessoas. Já a segunda é observar os fatos da vida com a visão otimista, valorizando mais os momentos bons e menos os momentos ruins. Tirando ensinamento de todos os momentos. A nossa vida é um somatório de momentos bons e ruins, se valorizo mais os bons, meu saldo será positivo, logo terei uma vida feliz.

 

8) Como lida com as surpresas da vida?
U.B. Como disse anteriormente. As surpresas fazem parte da vida de todos. Elas devem ser vistas como normais, pois não temos controle de tudo. O que passou é passado não adianta ficar focado neste passado, principalmente, nos fatos ruins. A vida é contínua e rápida. Só devemos nos lembrar dos bons momentos, os ruins devem servir apenas para melhorarmos.

 

9) O senhor reagiu a um assalto em Curitiba. Que conselho dá para quem for assaltado?
U.B. Eu fiz uma bobagem em reagir. Mas deveu-se ao meu temperamento de não aceitar ser furtado das coisas que trabalhei para conquistar com o meu esforço, além de ter treinamento neste sentido. O conselho que dou é o de nunca reagir. O bandido está normalmente tenso e não tem boa intenção, nunca. Ele pouco tem a perder, mas você tem muito. Ele não tem boa índole. Não é a miséria a maior causa dos assaltos e sim a índole. Quantas pessoas existem na miséria e não são assaltantes?

 

 

10)  O que é felicidade?
U.B. É estar de bem consigo, procurar ajudar as demais pessoas sem se preocupar com retornos, ou seja, tentar fazer outras pessoas felizes. E ser alegre.

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

 

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