

ELA NASCEU PARA VOAR
Aos oito anos ela traçou seu destino num vôo panorâmico: iria ser piloto! Hoje, aos 23 anos de idade, Vivian Tosin está quase lá. Formada em Ciências Aeronáuticas pela Universidade Tuiuti do Paraná, foi recentemente aprovada num disputado concurso da Agência Nacional de Aviação Civil - Anac.
1. Como surgiu a paixão pela aviação?
A paixão surgiu cedo! Meu pai é um apaixonado pela aviação, mas não pôde realizar o sonho de ser piloto. Porém, sempre acompanhou eventos da área. Eu estava sempre com ele em festivais aéreos; Esquadrilha da Fumaça e eventos de pára-quedismo. Eu simplesmente amava! Foi num desses eventos, em meados dos anos 90, eu devia ter uns 8 ou 9 anos, que surgiu a oportunidade do meu primeiro vôo panorâmico. Era fim de tarde e o piloto iria fazer o último vôo do dia, e como estávamos em várias crianças o comandante fez um preço bacana. Enfim, na decolagem, no momento em que o avião descolou do chão eu soube de imediato que era aquilo que eu queria fazer! Queria ser piloto! O tempo passou... A paixão aumentou.... E aconteceu!
2. A família apoiou sua decisão profissional?
De início meu pai não gostou da idéia, pois sabia dos altos custos do curso. (Ele jurava que aquela paixão de criança iria passar algum dia.) Mas minha mãe me apoiou desde o início. Sempre arranjava um jeitinho pra bancar a faculdade (fiz Ciências Aeronáuticas na UTP) e também conseguiu fazer a cabeça do meu pai, de modo que, no final, ambos me apoiaram!
3. Por ser uma área notadamente mais masculina do que feminina você passou por algum tipo de preconceito?
Nenhum preconceito! Nos tratam de forma igual! Seja por parte dos instrutores de vôo, dos professores da faculdade ou mesmo dos comandantes. Ainda não senti como é o clima de uma empresa aérea, mas creio que esse preconceito já tenha sido superado. As grandes companhias reconhecem que temos o mesmo potencial que os homens.
4. Você aproveita o conteúdo teórico (das aulas de Ciências Aeronáuticas) na prática?
Sim. Amplamente! Na faculdade além das cinco matérias básicas para a formação de pilotos (meteorologia, motores, regulamentos de tráfego aéreo, teoria de vôo e navegação) tínhamos matérias da área de Humanas, como relações interpessoais e psicologia. Além das administrativas, para entendermos o funcionamento e dinâmica de uma empresa.
Não uso tudo o que aprendi, mas uso um pouco de todas as matérias que tive em todos os vôos. Seja na análise da meteorologia antes dos vôos; o inglês para estudar os manuais dos aviões e procedimentos; teoria de vôo para entender o que se passa a cada manobra; navegação nos cálculos das viagens; sem falar nos regulamentos de tráfego aéreo, que estão presentes desde a fraseologia padrão (linguagem falada adotada na aviação a fim de manter a perfeita compreensão na comunicação piloto-controlador), até as velocidades a serem mantidas. Em resumo: uma pincelada de tudo em todos os vôos!
5. O curso de Ciências Aeronáuticas da UTP te ajudou na profissão?
Muito. Diferentemente de fazer apenas o curso em um aeroclube, a visão ampla que nos é dada na faculdade auxilia o entendimento de toda a dinâmica e funcionamento de uma empresa aérea. Não aprendemos, só, a voar. Aprendemos a ser comandantes, gerenciadores de cabine e um pouco administradores. Inteirando-nos de todo o funcionamento da aeronave; sistema de aviação civil; empresas aéreas e em como mantermos um bom relacionamento na cabine, visando sempre a manutenção e aumento da segurança de vôo. Confirmei que a formação dada pela faculdade é bem abrangente e completa. Aliás, gostaria de agradecer a Universidade Tuiuti do Paraná pela ótima instrução, pelos professores qualificados e pela oportunidade de divulgar essa conquista.
6. Como foi saber que ganhou uma bolsa da Agência Nacional de Aviação Civil? O que significa pra você essa conquista?
Foi uma alegria total! E um alívio também! Estudei desde que saiu o edital para o concurso. Fizemos uma prova teórica com 100 questões e os aprovados ainda eram submetidos a um exame prático, de vôo. Certamente, sem a bolsa eu iria demorar o dobro do tempo pra concluir as horas e me formar. O custo para a formação de um piloto comercial, com 150 horas de vôo gira em torno de 25 mil reais, sem contar os oito mil gastos para a formação de piloto privado.
A faculdade dá um prazo de três anos, após o término do curso, para concluirmos nossas horas de vôo. Se isso não acontecer, perdemos o curso. Meu prazo limite era junho do ano que vem. Acho que sem a bolsa não iria conseguir terminar as horas. Ela veio no momento exato! Além de que acredito que é um diferencial no currículo "ser bolsista". Acho que irá me abrir muitos caminhos.
7. Sobre seu desempenho nas aulas, como você se avalia?
Não tenho muito dom. Mas tenho vontade de sobra e muita perseverança. Uma vez um professor disse na aula que prefere as pessoas que não tem o dom, pois essas sempre se dedicam mais, buscam seus limites máximos, a cada vôo, a cada novo treinamento. Enquanto que o cara que já nasce bom se esforça menos e continua sempre no mesmo nível. Sou boa na teoria, mas tenho consciência que na prática ainda tenho muito para aperfeiçoar até chegar em uma companhia.
8. Já encontrou alguma dificuldade (técnicas, climáticas etc) ao pilotar aviões?
Nunca sofri nenhuma adversidade nos meus vôos. Primeiramente porque os aviões destinados à instrução passam sempre por criteriosas manutenções e revisões. Quanto ao fator climático, o piloto é o responsável por analisar, antes de cada vôo, as condições de tempo no destino e em rota. E com toda a tecnologia que nos é fornecida para tal análise, só os negligentes são pegos de surpresa por uma tempestade. Algumas vezes precisamos alternar o destino, por condições climáticas que nossos pequenos aviões não estão homologados a penetrar, mas estas sempre são controladas, previstas. Além do que, alternar um vôo é algo perfeitamente normal.
9. Como é realizado o curso (aulas e treinamentos)?
Tudo começa com a obtenção do certificado de piloto privado. Os candidatos prestam uma "banca" na Anac, onde são cobradas as teorias daquelas cinco matérias básicas que falei. Sendo aprovado nessa banca, já pode iniciar o curso prático, que é composto de mais ou menos 40 horas de vôo. Ao fim das 40 horas o aluno passa por uma inspeção prática de vôo, o chamado vôo de cheque.
Todo o meu curso teórico para piloto privado fiz na UTP. O prático fiz em Joinville, pois na época foi o lugar mais em conta que achei. Passando no vôo de cheque, recebe-se o Certificado de Habilitação de Piloto Privado pode-se então partir para o curso de piloto comercial. A principal diferença entre ambos é que o piloto privado não pode ser remunerado para voar. Se a pessoa quer seguir carreira, quer voar profissionalmente, precisa do Certificado de Piloto Comercial. Fiz o teórico de Piloto Comercial na UTP e também no aeroclube do Paraná, paralelamente. Voei algumas horas no aeroclube do Paraná. Foi então que ganhei a bolsa e estou concluindo a parte prática para obter este certificado em Caxias do Sul.
10. Como você vê a questão da segurança das aeronaves? Tem medo de acidentes?
Aprendemos que a segurança de vôo baseia-se não só na questão do avião, mas em três pilares: o fator material (projeto e fabricação do avião); o fator operacional (desempenho do piloto relacionado ao vôo e manutenção) e o fator humano (psicológico e fisiológico). Mantendo esses três pilares, a aviação é um ramo altamente seguro. Além do que, somos treinados para, em diversas panes, agirmos instantaneamente. Aprendemos que o bom piloto é aquele que confia no seu avião, sabemos que são remotíssimas as chances de uma pane, mas devemos estar preparados se ela ocorrer na próxima decolagem.
11. Quais seu planos para o futuro?
Saindo daqui de Caxias do Sul com o Certificado de Piloto Comercial pretendo
voltar pra Curitiba e concluir no Aeroclube do Paraná o curso de instrutor
de vôo. Pretendo dar instrução, pois acho uma parte muito interessante da
carreira de piloto, tanto para ampliar a experiência na aviação de pequeno
porte, quanto para aprender a lidar com as pessoas. Acho que não tem nada
mais satisfatório do que acompanhar um aluno, que começou do zero, fazer seu
primeiro vôo solo. Depois disso quem sabe trabalhar em algum táxi aéreo. Mas
o sonho maior, claro, é chegar a uma companhia aérea. De preferência em vôos
internacionais.
Mas até lá, tem muito chão pela frente, ou melhor, muito ar!!!!!
ASSESSORIA DE IMPRENSA
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
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