Minha procedência

Nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo - Cedral - de onde saí em 1969 para cursar Letras, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Preto - FAFI (atual IBILCE/UNESP), com habilitações nas línguas português, inglês e espanhol e suas respectivas literaturas.

Primeiras aventuras da minha atuação profissional - o interesse pela fotografia

Formada em 1972, fui convidada a trabalhar em Corumbá, cidade da região oeste, situada na fronteira do Brasil com a Bolívia, na antiga Universidade Estadual de Mato Grosso, hoje Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Influenciada pelos estudos antropolingüísticos, pelas leituras de Claude Lévi-Strauss e Egon Schaden, entre outros, aceitei o convite, movida pelo sonho de trabalhar com comunidades indígenas, mais especificamente com estudos de mitos indígenas.
Deixei então a cidade de São Paulo, para onde estava me mudando a fim de cursar um mestrado e me aventurei pelo pantanal mato-grossense, num trem de bitola estreita que chacoalhava muito e levava um dia e uma noite até chegar ao seu destino.
Bem cedo, percebi que a vida acadêmica não me permitiria os deslocamentos necessários para a realização da pesquisa a que me propunha, afinal a universidade era nova e precisava de pessoas para dar aula, criar atividades de extensão, orientar alunos, administrar e ...fazer pesquisa.
A novidade da vida numa fronteira, a facilidade de deslocamento de um para outro lado, e a observância de toda uma comunidade de bolivianos vivendo nos morros e periferia de Corumbá, despertaram meu interesse por um trabalho de antropologia visual que registrasse os modos de convivência cultural, com influências de ambos os lados na vida daquelas pessoas. Comprei uma máquina fotográfica alemã, Pratika, um gravador de rolo, iniciei leituras de pesquisa de campo e parti para o trabalho nos finais de semana.

O interesse pelo jornalismo

Nesse meio tempo, porém, soube da descoberta de um grande lote de um dos jornais mais antigos do Estado, A tribuna, encontrados nos porões da antiga Intendência de Corumbá, que passava por um processo de reforma para abrigar o prédio da Secretaria de Educação da cidade, se não me engano. Fiquei com a curiosidade atiçada pelo material, que cobria os 9 anos do governo Vargas - 1937-1945 - e portanto da segunda guerra mundial. Além de me perguntar por que os pacotes foram tão cuidadosamente guardados, amarrados em lotes, o processo de degradação por que passavam, me incitaram a estudar seus conteúdos e reconstituir a sua posição no contexto da história do jornalismo mato-grossense. Foi então que passei a me dedicar intensamente ao exame desse material, que serviu para objeto de minha dissertação de mestrado realizada na USP e finalizada em 1982.
Para doutorado, também na USP, interessei-me por algo menos problemático do ponto de vista do levantamento de material, uma vez que a pesquisa com os jornais envelhecidos me havia rendido uma alergia respiratória crônica. Comecei a trabalhar com a questão da intermediação do dinheiro nas relações intersubjetivas no século XIX, escolhendo para análise as obras de dois autores representativos dessa discussão no período - Honoré de Balzac e Machado de Assis. Embora voltada para os dois autores, minha tese faz, na sua segunda parte, o rastreamento de obras que vêm delineando essa questão desde a antigüidade, entre os pensadores, na literatura e na dramaturgia. Com essa pesquisa, obtive bolsa sanduíche a fim de completar meus estudos na França (minha primeira bolsa para estudos no exterior; depois iria mais duas vezes, em momentos diferentes para estudos de formação pós-doutoral).

De Campo Grande-MS para Curitiba-PR

Aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, assumi, em 1996, algumas atividades na Universidade Tuiuti do Paraná, entre elas a de coordenadora de pesquisa primeiramente,e, em seguida, de diretora da pós-graduação, pesquisa e extensão, quando criei as atuais coordenadorias com as funções de gestão dessas respectivas atividades.

A volta à primeira paixão
Em 1998, afastei-me da direção para criar o Mestrado em Comunicação e Linguagens, onde estou até hoje, atualmente trabalhando com poética das imagens midiáticas, mais especificamente com fotografias, para cujo tema tenho direcionado minhas pesquisas e produção intelectual. Nesse sentido, faço o caminho de volta aos meus antigos interesses pela fotografia e a cultura.
Procurando fazer avançar os estudos sobre fotografia, pela viabilização de contatos, encontros e discussões coletivas, criei e coordeno o grupo de pesquisas intitulado Usos e interfaces das imagens fotográficas nas mídias, do qual participam professores e alunos de graduação e pós-graduação da UTP, da PUCPR, das Faculdades Curitiba, da UFPR, pesquisadores do Núcleo de Estudos de Fotografia do Paraná (Curitiba), além de professores de faculdades de União da Vitória-PR e Chapecó - SC.

Interesse

Tenho interesse em sites relativos à temática da fotografia e do fotojornalismo, indicação de obras, artigos, periódicos especializados, eventos nacionais e internacionais, mostras, e intercâmbio com grupos de pesquisa similares.