Pedagogia em Debate: desafios contemporâneos
 
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GESTÃO EDUCACIONAL:
DISCUTINDO INVEJA NAS ORGANIZAÇÕES


Evelcy Monteiro Machado   *
Universidade Tuiuti do Paraná
 
Larissa Monteiro Machado   *
Universidade Estadual de Londrina

Neste estudo pretende-se discutir um dos aspectos relevantes na estrutura organizacional referente ao nível pessoal que interfere na gestão educacional, tanto em espaços escolares como não escolares. Trata-se, assim, de discutir inveja, um sentimento que para Kant é inerente à própria natureza humana. Fundamenta-se em diferentes autores, destacando-se a obra de Tomei – Inveja nas Organizações. Ressalta-se, no estudo, que a inveja está presente, em maior ou menor grau, nas relações entre os atores dos processos organizacionais. É analisada como um sentimento que evidencia conflitos e que pode ser manifesto ou oculto, mas que pode também propiciar condições para transformação na gestão organizacional com a inclusão de princípios éticos de responsabilidade social e de respeito humano mútuo.

Palavras-chave: inveja, gestão educacional, processos organizacionais.

 

As transformações da sociedade moderna, com os avanços científicos e tecnológicos, o fenômeno da mundialização econômica e política, o desenvolvimento urbano, e as contradições resultantes do próprio processo de transformação geram novas necessidades educacionais e apontam para além da necessidade da universalização do saber ler, escrever e contar, amplamente discutida no país. A escola, organizada como espaço natural para a elite cultural e econômica dominante, por pressões sociais e econômicas, lenta e gradativamente passa a ampliar seus espaços para oferecer uma educação mais democrática. Passa a incluir novos segmentos sociais desde o inicio da escolarização, expande-se nos níveis intermediários, amplia a oferta de vagas na educação superior e ainda se compromete com a questão da educação continuada ao longo da vida.

Essa é uma nova amplitude da educação contemporânea: a que incorpora a estrutura burocrática do sistema formal e, que contraditoriamente, rompe com os próprios limites ofertando educação não formal – ainda que organizada e estruturada – e que também oferta a educação informal, emergente de necessidades e interesses diversificados, inovadores, momentâneos e criativos ou mesmo conservadores e tradicionais.

Nesta diversidade é conveniente voltar à década de setenta, em que a escola é discutida como uma organização complexa, tal qual outras organizações, e que apresenta relações de poder e de conflito que vão sendo estabelecidas no interior das instituições educacionais no desenvolvimento de seus fins pedagógicos. Para efeito das organizações, nas quais a escola se insere, são relevantes as contribuições no decorrer do século XX provenientes de diferentes áreas, dentre as quais a sociologia, a psicologia e a filosofia. Esses estudos discutem a questão dos problemas sociais incluindo a compreensão do comportamento humano nas organizações (ETZIONE, 1967). Salienta Tragtenberg (1978, p.6) que a “burocracia pedagógica” própria da estrutura dos sistemas educacionais se estrutura em três níveis de organização: do pessoal, de programas e trabalhos e de inspeções e exame, e que “no que se refere a pessoal, o burocrata da educação está separado dos meios de administração como operário dos meios de produção, o oficial dos meios de guerra e o cientista dos meios da pesquisa”.

Neste estudo pretende-se discutir um dos aspectos relevantes na estrutura organizacional referente ao nível pessoal que interfere na gestão educacional, tanto em espaços escolares como não escolares. Trata-se, assim, de discutir a inveja, um sentimento que evidencia conflitos e que pode ser manifesto ou oculto, mas que está em maior ou menor grau presente nas relações entre os atores dos processos organizacionais.

Devido à complexidade de se discutir a dimensão pessoal, ou seja, as relações humanas e também a importância do assunto para as organizações, tornou-se necessário apresentar o tema.

A inveja está associada à história da humanidade. No Gênesis surge como pecado; na tradição cristã, como um dos pecados capitais, como um vício que se opõe à virtude. São Tomás de Aquino destaca que o sentimento de entristecer-se por não ter o que o outro tem não é reprovável, é incontrolável. O reprovável vício se manifesta quando os indivíduos são compelidos a agir para compensar essa tristeza. Essa ação é livre, consentida e negativa.

Muitos filósofos têm condenado a inveja como vício. Descartes registra que afeta não só ao outro como ao próprio indivíduo; Spinoza relaciona com tristeza e ódio. Kant vai além, aponta a inveja como um dos vícios da misantropia, que está associada à ingratidão e à alegria pelo mal alheio. Embora reconheça que a inveja é inerente à natureza humana, não a reprova pelo impulso mas pelo “abominável vício de uma paixão humana que se atormenta a si mesma e que se dirige, ao menos como desejo, a destruir a felicidade alheia; portanto, opõe-se tanto ao dever do homem a si mesmo quanto ao dever do homem para com os demais.” (KANT, p.36). Nesta interpretação entende-se a inveja como uma característica própria do homem, que se torna negativa quando é cultivada, gerando o ódio que é destrutivo para o indivíduo e para a sociedade (TRINDADE, 2004).

Para Aristóteles a inveja resulta da proximidade dos indivíduos, da semelhança. Surge da comparação e está relacionada à ambição. Neste enfoque são várias as relações que encaminham para aproximar inveja, moral e justiça. Para Nietzsche é uma moral baseada no ressentimento, na destruição do outro. Marx relaciona a primeira fase do comunismo com um senso de justiça baseada na inveja dos que têm mais. Freud aponta a inveja como origem da justiça que gera a necessidade de igualdade de tratamento.

Rawls (2000) analisa inveja sob outro enfoque. Discute a justiça social, que não tem raízes na inveja; aponta que numa sociedade bem ordenada são neutralizadas as condições para se produzir a inveja, que é representada por falta de confiança e segurança em si próprio, por sentimentos de impotência frente ao outro e pelas desigualdades das estruturas sociais que impelem os menos favorecidos a perceberem alternativas. Apresenta a inveja moral, que não produz danos ao individuo e à sociedade.

Em síntese foram apresentadas duas interpretações para inveja: a primeira relacionada a ódio e destruição e a segunda que propicia condições para transformações de valores estabelecidos e redução das desigualdades.

A inveja como parte integrante da natureza humana, que já havia sido estudada por Kant em 1922, tem sido discutida por vários autores entre os quais Vries (1996) e Beck (1998). Tomei (1994), autora do livro “Inveja nas Organizações”, baseia seus estudos em Freud e Melaine Klein e reafirma a questão apontando que a inveja pode ser um comportamento inerente ao homem.

A inveja apresenta características próprias e distingue-se do ciúme. Repetindo Klein, Tomei (1994, p.6) apresenta a inveja como “o sentimento de ira por outra pessoa possuir e usufruir de algo desejável, sendo o impulso invejoso de retirá-lo ou estragá-lo” diferenciado do ciúme, mas muito próximo em termos de sentimentos, já que estão relacionados à perda ou à ameaça de perda: “é uma situação que envolve três pessoas, na qual a terceira pessoa retira, ou lhe é dado, o ‘bem’ que por direito pertence ao indivíduo ciumento”.

Assim, apesar de que inveja e ciúme possam ser considerados como sentimentos semelhantes, existe uma distinção significativa entre eles: o ciúme normalmente se refere a pessoas, é um sentimento consciente, vindo da dúvida, da insegurança e da rejeição. A inveja traz sentimentos de inferioridade, dificuldade de aceitação, culpa, sentimento de destino injusto e desejo por algo de terceiros.

Destaca Tomei (1994, p.9) seis experiências emocionais que, isoladas ou em qualquer combinação, podem fazer parte da inveja, apontando: aspirações, inferioridade, ressentimento do agente em questão, ressentimento global, culpa, admiração.

O sentimento da inveja também está intimamente ligado à escassez, simplesmente porque a falta de condições básicas de sobrevivência, a necessidade de status (através de bens) e as virtudes humanas são fatores causadores de inveja. E as bases da escassez são o fato de que as coisas ou qualidades, entendidas como posses, estão sob domínio de outra pessoa ou não estão à disposição. Entretanto, Tomei (1994, p. 29) ressalta que “É claro que a inveja não está reduzida somente a condições de escassez absoluta. Uma situação de privação relativa e de suposta injustiça institucional, interpessoal, ou social é suficiente para o aparecimento da inveja”.

A inveja pode ainda estar relacionada a uma sensação de injustiça. Isso ocorre porque o conceito de justiça pode ser diverso entre os indivíduos. A questão é mais ampla ao se considerar, a partir das referências sobre o tema, a diversidade das teorias que fundamentam a discussão sobre justiça, tais como:

• Liberalismo, defendido por Robert Nozick, que ressalta que cada pessoa tem direito àquilo que produz;

• Liberalismo político, que tem em John Rawls um grande defensor e que destaca que cada pessoa é livre para fazer o que quiser desde que não interfira na liberdade do outro;

• Teoria pluralista, representada por Michael Walzer que defende que os direitos individuais devem ser decididos por meio de negociações entre os membros da sociedade e organizações sobre o sentido social dos bens comuns.

Tendo como cenário a diversidade teórica, Tomei (1994, p.31) afirma que “numa sociedade dentro da qual nenhum princípio uniforme de justiça prevalece e na qual uma variedade de princípios de justiça convivem uns com os outros, o caráter moral de qualquer ressentimento sobre condições de desigualdade é mais difícil de ser apurado”. O ressentimento moral passa a ser inveja de fato quando a pessoa ressentida é incapaz de colocar suas reivindicações, provando porque se ressente de ter menos que os outros.

Sobre a relação entre a inveja e a justiça social, Heider (Apud Tomei, 1994, p.32) aponta que “quando um indivíduo é parecido ou está na mesma categoria daquele que possui vantagens e é invejado, parecerá natural, e de algum modo mais justo, se suas quantidades e qualidades forem equalizadas”. Complementa afirmando que “mesmo nos casos em que a vantagem do outro pode parecer justa por padrões sociais objetivos, a privação certamente ferirá o sentimento de igualdade”.

Apesar das contradições é importante salientar que a inveja pode ter características benignas ou construtivas. Isso pode acontecer quando, por exemplo, um indivíduo deseja adquirir para si qualidades, bens e posses que admira nos outros, através de seu próprio esforço. Nessa situação não existe uma relação negativa em relação ao objeto da inveja; ao contrário, o objeto torna-se um modelo a ser seguido. Com isso torna-se um sentimento estimulante, aumentando o sentimento de ambição e a competição saudável para se obter o que se deseja.

Segundo Tomei (1994, p.39), “a inveja pode ser canalizada para o estímulo e competição em questões não-materiais, como honra, status e estima”. Pode-se inferir pelos registros históricos, diferentes situações geradoras de motivações sociais que podem ter a inveja como fonte geradora e incentivadora para novos padrões de comportamento. Enfeitar-se, por exemplo. As sociedades sempre valorizaram os padrões de beleza, mesmo nas histórias infantis. Ressalta-se, entretanto, que, mais do que pelo lado físico das pessoas, a inveja acontece por questões que não podem ser medidas como as qualidades, virtudes, emoções, sentimentos.

Na sociedade contemporânea vive-se um momento de questionamento e transição de valores instituídos. As transformações do contexto interferem nas relações dos indivíduos no trabalho. Acentua-se o individualismo, a competitividade em contraposição à solidariedade crescente e a uma nova responsabilidade social. São filosofias de vida que se contradizem em sua essência. Com tais transformações surgem novos valores éticos e morais. Segundo Tomei (1994, p.54), “a transição social e o processo de mudança ambiental acelerado têm demandado da sociedade rediscussões constantes do sistema de valores”.

Os valores, antes restritos a relações na vida em família, na comunidade e nas organizações de trabalho, com a globalização abrangem, além do ambiente, questões da cidadania nacional e mundial. A inclusão do debate na organização sobre valores sociais, questões éticas e morais torna-se umas das alternativas não só para as organizações, mas para a sociedade, para enfrentar as mudanças.

Em um estudo diagnóstico sobre os ambientes organizacionais brasileiros Tomei (1994, p.57) descobriu que a inveja está presente, mas deixa de ser assumida pelos diferentes indivíduos. A autora afirma que “nesse diagnóstico geral, concluímos que o povo brasileiro não demonstra a sua inveja, talvez por superstição ou por princípios éticos, e que as percepções referentes a existência da inveja são ambíguas” Muitas vezes o sentimento da inveja nasce não da necessidade de ter o que o outro possui, mas da necessidade de sentir o mesmo prazer que ele, alcançar o mesmo nível de felicidade. Apesar de que todos os seres humanos sofrem de inveja, os que são menos desenvolvidos tendem a senti-la de forma mais intensa. É o que acontece com as crianças, que não conseguem dissimular esse sentimento. “Assim sendo, podemos afirmar que a inveja é, de início, inevitável, embora isso não signifique que não possa e não deva ser superada ao longo da vida” (id .ib.,p.63). Mesmo sendo um sentimento inerente ao homem, são poucas as pessoas que chegam a tomar alguma atitude concreta, até mesmo agressiva, em relação à inveja, normalmente esta não passa de intenções.

Como não é possível evitar que as pessoas invejem, deve-se preocupar com aqueles indivíduos que não conseguem controlar seus sentimentos prejudicando os demais.

A inveja pode ser classificada em três categorias:

• Inveja Sublimada, que inclui indivíduos que sentem inveja mas conseguem superar esse sentimento, utilizando-o para seu próprio crescimento. Tais indivíduos admitem as qualidades do seu objeto de inveja e buscam se superar para alcançar os seus próprios objetivos.

• Inveja Neurótica. Nesta categoria estão os indivíduos que sentem inveja e sofrem com isso, sem fazer nada para mudar suas atitudes. Normalmente são deprimidos, amargos e ansiosos.

• Inveja Perversa, se refere a indivíduos que são invejosos e que buscam destruir seu objeto de inveja. São difíceis de se encontrar em organizações porque ao depreciar seu objeto de inveja acabam por destruir suas próprias relações de trabalho.

Dentre outros fatores que podem desencadear processos de inveja estão a presença de lideranças que representam papéis de heróis ou até de mitos. A própria existência de mitos e heróis em uma organização já remete a um modelo de gestão centralizado, que se contrapõe a uma liderança eficaz. Até o termo liderança, por si só, já nos remete a grandes líderes da história. Com isso o líder passa a ser uma figura quase mítica e que propicia atitudes invejosas.

O mesmo processo de inveja pode ocorrer nas relações interpessoais que vão se estabelecendo com o poder formal.

Tomei (1994, p.88) afirma ainda que o sentimento de inveja nas organizações se concentra nas chefias intermediárias que têm “dificuldades de ascensão organizacional e o poder de bloquear ou manipular o processo de informações/comunicações e de decisões”.

A inveja pode acontecer também entre as diferentes gerações, onde o mais velho inveja o mais novo por viver a juventude numa época “mais fácil” e o mais novo inveja a experiência e a maturidade do mais velho.

Nas organizações, diferentes estratégias são utilizadas para enfrentar a questão da inveja – algumas já comentadas. Entre os próprios indivíduos vão sendo encontradas alternativas para sublimar seus sentimentos em relação a colegas de trabalho como as estratégias de projeção e retirada, a desvalorização e a negação.

Entretanto, como salienta Vries (1996, p.76), as diferentes formas de fazer frente à inveja podem ser destrutivas ou construtivas. “Sublinhemos que estas diferentes expressões não se excluem mutuamente, e que elas não estão tampouco necessariamente fixadas. Uma maneira particular de conter a inveja evoluirá muitas vezes para uma outra forma segundo a intensidade do conflito intrapsíquico”.

Ainda que a inveja possa ser teorizada como um sentimento real nos indivíduos, estes costumam apresentar atitudes de defesa contra seu próprio sentimento. Tais atitudes, na gestão organizacional, se não forem discutidas, analisadas e trabalhadas, podem comprometer o ambiente de trabalho. Dentre as maneiras destrutivas de fazer frente à inveja encontram-se: a idealização, onde o objeto invejado é colocado fora do alcance; a retirada, onde o indivíduo invejoso se torna incapaz de tolerar seu próprio sentimento – nessa situação o indivíduo passa também a ter medo do sucesso, desvalorizando-se, para não objeto de inveja; a desvalorização, quando a pessoa sofredora do sentimento deprecia o objeto de inveja, movida pelo desejo de vingança, e nesse caso procura fazer papel de vítima, provocando no outro sentimento de culpa pelo sucesso obtido; a projeção, onde o invejoso não assume seu sentimento e atribui o mesmo aos outros; e a negação e bajulação, nessa situação o indivíduo tem dificuldade de aceitar seu sentimento e procura bajular o objeto de inveja, porém, depreciando-o quando da sua ausência.

Para gerenciar a inveja nas organizações, fazendo que ela se torne um sentimento saudável, Beck propõe estratégias, como as apresentadas no quadro a seguir.

 

Fatores que podem induzir a inveja

Fatores que podem reduzir a indução da inveja

Nível Organizacional

O individualismo

Cooperação e trabalho em equipes

As estruturas fechadas

Gestão participativa

Os modelos autoritários

Flexibilidade e autonomia

Os privilégios e ostentações

Programas de salários redondos

A polarização

Participação de lucros

A politização

Negociação de conflitos

As mentiras e boatos

Avaliação de mérito e potenciais

Programas de salários sem créditos

Sistemas de informação

Nível individual

A busca do sucesso a qualquer preço

A busca do autoconhecimento

As estruturas fechadas

Gestão participativa

As estratégias de desvalorização

A busca da autovalorização

As projeções

A busca da excelência

A busca da ostentação

A busca de lideranças

As estratégias de negação

A busca do senso da responsabilidade

A estratégia de idealização

A busca da reciprocidade

Fonte: Beck (1998, p. 165)

 

De acordo com Tomei (1994, p. 113) os indivíduos estão em processo contínuo de ajustamento, ou seja “um organismo relaciona seu comportamento interior com as exigências do meio que o cerca”.

Quando as oportunidades de uma pessoa mudam dentro da organização cria-se um conflito entre o ajustamento individual e as necessidades/exigências do grupo. A gerência desse conflito está ligada à gerência dos sentimentos de inveja.

A autora afirma que sublimar o sentimento de inveja pode prejudicar relações dentro das organizações. E que é possível gerenciar esse sentimento, porém é necessário levar em conta o propósito de cada organização: “as suas crenças, os seus valores, os seus comportamentos e o papel da liderança na sua forma de agir” (id.ib., p.115).

A partir de levantamentos de formas depreciativas de como fazer frente à inveja, como a desvalorização, negação e bajulação entre outras, a autora discute maneiras construtivas de fazer face a esse sentimento. Destaca que organizações capazes de criar ambientes sadios de trabalho, sem a presença de heróis ou mitos, com lideres eficazes, que não criam competição entre seus subordinados estão menos propensas a sofrer com a inveja organizacional.

Segundo Vries (1996, p.82), para vivermos num mundo com menos conflitos “devemos evitar nos tornar prisioneiros de um equilíbrio interior ilusório que nos faz viver uma cadeia ininterrupta de autodecepções geradoras de angústia e tensão”. Complementa o autor que “para prevenir tal estado de coisas, deve-se transcender a inveja e, para isso, é preciso dar prova de certa maturidade emotiva que permita a auto-avaliação, a compaixão, o reconhecimento, a responsabilidade, o engajamento pessoal”.

Já Beck (1998, p.169) afirma que é possível se chegar na organização utópica proposta por Tomei. “Percebe-se (...) que a organização que possui uma gestão competente e que permeia as suas ações apoiada numa ética de responsabilidade é capaz de reduzir os fatores de indução da inveja”. O autor apresenta estratégias para se atingir a empresa ideal como mudança nos modelos de gestão, diminuição dos níveis hierárquicos, programas de recursos humanos que instrumentalizem práticas de valores éticos, de responsabilidade social. Admite Beck que “esses fatores, colocados em prática, podem facilitar um clima de excelência pessoal e organizacional, no qual os comportamentos de inveja sejam controlados e gerenciados”.

A questão da inveja, pelas dimensões que pode assumir, torna-se um dos aspectos relevantes a serem considerados na gestão educacional tanto escolar como não escolar quando se defende gestão democrática, autônoma e participativa.

 

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* Doutora em Filosofia e Ciências da Educação – Universidade Santiago de Compostela, Espanha. Mestre em Educação, área de concentração Currículo. Pedagoga, Especialista em Métodos e Técnicas de Ensino. Docente e pesquisadora de Programa de Pós-Graduação – Mestrado em Educação e do Curso de Pedagogia da Universidade Tuiuti do Paraná.

** Graduada em Administração com habilitação em Hotelaria e especialista em Metodologia do Ensino Superior. Mestranda em Administração com ênfase em Gestão de Negócios pela Universidade Estadual de Londrina.

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