As
transformações da sociedade moderna, com os avanços científicos e
tecnológicos, o fenômeno da mundialização econômica e política,
o desenvolvimento urbano, e as contradições resultantes do próprio
processo de transformação geram novas necessidades educacionais e
apontam para além da necessidade da universalização do saber ler,
escrever e contar, amplamente discutida no país. A escola, organizada
como espaço natural para a elite cultural e econômica dominante, por
pressões sociais e econômicas, lenta e gradativamente passa a
ampliar seus espaços para oferecer uma educação mais democrática.
Passa a incluir novos segmentos sociais desde o inicio da escolarização,
expande-se nos níveis intermediários, amplia a oferta de vagas na
educação superior e ainda se compromete com a questão da educação
continuada ao longo da vida.
Essa
é uma nova amplitude da educação contemporânea: a que incorpora a
estrutura burocrática do sistema formal e, que contraditoriamente,
rompe com os próprios limites ofertando educação não formal –
ainda que organizada e estruturada – e que também oferta a educação
informal, emergente de necessidades e interesses diversificados,
inovadores, momentâneos e criativos ou mesmo conservadores e
tradicionais.
Nesta
diversidade é conveniente voltar à década de setenta, em que a
escola é discutida como uma organização complexa, tal qual outras
organizações, e que apresenta relações de poder e de conflito que
vão sendo estabelecidas no interior das instituições educacionais
no desenvolvimento de seus fins pedagógicos. Para efeito das organizações,
nas quais a escola se insere, são relevantes as contribuições no
decorrer do século XX provenientes de diferentes áreas, dentre as
quais a sociologia, a psicologia e a filosofia. Esses estudos discutem
a questão dos problemas sociais incluindo a compreensão do
comportamento humano nas organizações (ETZIONE, 1967). Salienta
Tragtenberg (1978, p.6) que a “burocracia pedagógica” própria da
estrutura dos sistemas educacionais se estrutura em três níveis de
organização: do pessoal, de programas e trabalhos e de inspeções e
exame, e que “no que se refere a pessoal, o burocrata da educação
está separado dos meios de administração como operário dos meios
de produção, o oficial dos meios de guerra e o cientista dos meios
da pesquisa”.
Neste
estudo pretende-se discutir um dos aspectos relevantes na estrutura
organizacional referente ao nível pessoal que interfere na gestão
educacional, tanto em espaços escolares como não escolares.
Trata-se, assim, de discutir a inveja, um sentimento que evidencia
conflitos e que pode ser manifesto ou oculto, mas que está em maior
ou menor grau presente nas relações entre os atores dos processos
organizacionais.
Devido
à complexidade de se discutir a dimensão pessoal, ou seja, as relações
humanas e também a importância do assunto para as organizações,
tornou-se necessário apresentar o tema.
A
inveja está associada à história da humanidade. No Gênesis surge
como pecado; na tradição cristã, como um dos pecados capitais, como
um vício que se opõe à virtude. São Tomás de Aquino destaca que o
sentimento de entristecer-se por não ter o que o outro tem não é
reprovável, é incontrolável. O reprovável vício se manifesta
quando os indivíduos são compelidos a agir para compensar essa
tristeza. Essa ação é livre, consentida e negativa.
Muitos
filósofos têm condenado a inveja como vício. Descartes registra que
afeta não só ao outro como ao próprio indivíduo; Spinoza relaciona
com tristeza e ódio. Kant vai além, aponta a inveja como um dos vícios
da misantropia, que está associada à ingratidão e à alegria pelo
mal alheio. Embora reconheça que a inveja é inerente à natureza
humana, não a reprova pelo impulso mas pelo “abominável vício de
uma paixão humana que se atormenta a si mesma e que se dirige, ao
menos como desejo, a destruir a felicidade alheia; portanto, opõe-se
tanto ao dever do homem a si mesmo quanto ao dever do homem para com
os demais.” (KANT, p.36). Nesta interpretação entende-se a inveja
como uma característica própria do homem, que se torna negativa
quando é cultivada, gerando o ódio que é destrutivo para o indivíduo
e para a sociedade (TRINDADE, 2004).
Para
Aristóteles a inveja resulta da proximidade dos indivíduos, da
semelhança. Surge da comparação e está relacionada à ambição.
Neste enfoque são várias as relações que encaminham para aproximar
inveja, moral e justiça. Para Nietzsche é uma moral baseada no
ressentimento, na destruição do outro. Marx relaciona a primeira
fase do comunismo com um senso de justiça baseada na inveja dos que têm
mais. Freud aponta a inveja como origem da justiça que gera a
necessidade de igualdade de tratamento.
Rawls
(2000) analisa inveja sob outro enfoque. Discute a justiça social,
que não tem raízes na inveja; aponta que numa sociedade bem ordenada
são neutralizadas as condições para se produzir a inveja, que é
representada por falta de confiança e segurança em si próprio, por
sentimentos de impotência frente ao outro e pelas desigualdades das
estruturas sociais que impelem os menos favorecidos a perceberem
alternativas. Apresenta a inveja moral, que não produz danos ao
individuo e à sociedade.
Em
síntese foram apresentadas duas interpretações para inveja: a
primeira relacionada a ódio e destruição e a segunda que propicia
condições para transformações de valores estabelecidos e redução
das desigualdades.
A
inveja como parte integrante da natureza humana, que já havia sido
estudada por Kant em 1922, tem sido discutida por vários autores
entre os quais Vries (1996) e Beck (1998). Tomei (1994), autora do
livro “Inveja nas Organizações”, baseia seus estudos em Freud e
Melaine Klein e reafirma a questão apontando que a inveja pode ser um
comportamento inerente ao homem.
A
inveja apresenta características próprias e distingue-se do ciúme.
Repetindo Klein, Tomei (1994, p.6) apresenta a inveja como “o
sentimento de ira por outra pessoa possuir e usufruir de algo desejável,
sendo o impulso invejoso de retirá-lo ou estragá-lo” diferenciado
do ciúme, mas muito próximo em termos de sentimentos, já que estão
relacionados à perda ou à ameaça de perda: “é uma situação que
envolve três pessoas, na qual a terceira pessoa retira, ou lhe é
dado, o ‘bem’ que por direito pertence ao indivíduo ciumento”.
Assim,
apesar de que inveja e ciúme possam ser considerados como sentimentos
semelhantes, existe uma distinção significativa entre eles: o ciúme
normalmente se refere a pessoas, é um sentimento consciente, vindo da
dúvida, da insegurança e da rejeição. A inveja traz sentimentos de
inferioridade, dificuldade de aceitação, culpa, sentimento de
destino injusto e desejo por algo de terceiros.
Destaca
Tomei (1994, p.9) seis experiências emocionais que, isoladas ou em
qualquer combinação, podem fazer parte da inveja, apontando: aspirações,
inferioridade, ressentimento do agente em questão, ressentimento
global, culpa, admiração.
O
sentimento da inveja também está intimamente ligado à escassez,
simplesmente porque a falta de condições básicas de sobrevivência,
a necessidade de status (através de bens) e as virtudes humanas são
fatores causadores de inveja. E as bases da escassez são o fato de
que as coisas ou qualidades, entendidas como posses, estão sob domínio
de outra pessoa ou não estão à disposição. Entretanto, Tomei
(1994, p. 29) ressalta que “É claro que a inveja não está
reduzida somente a condições de escassez absoluta. Uma situação de
privação relativa e de suposta injustiça institucional,
interpessoal, ou social é suficiente para o aparecimento da
inveja”.
A
inveja pode ainda estar relacionada a uma sensação de injustiça.
Isso ocorre porque o conceito de justiça pode ser diverso entre os
indivíduos. A questão é mais ampla ao se considerar, a partir das
referências sobre o tema, a diversidade das teorias que fundamentam a
discussão sobre justiça, tais como:
•
Liberalismo, defendido por Robert Nozick, que ressalta que cada pessoa
tem direito àquilo que produz;
•
Liberalismo político, que tem em John Rawls um grande defensor e que
destaca que cada pessoa é livre para fazer o que quiser desde que não
interfira na liberdade do outro;
•
Teoria pluralista, representada por Michael Walzer que defende que os
direitos individuais devem ser decididos por meio de negociações
entre os membros da sociedade e organizações sobre o sentido social
dos bens comuns.
Tendo
como cenário a diversidade teórica, Tomei (1994, p.31) afirma que
“numa sociedade dentro da qual nenhum princípio uniforme de justiça
prevalece e na qual uma variedade de princípios de justiça convivem
uns com os outros, o caráter moral de qualquer ressentimento sobre
condições de desigualdade é mais difícil de ser apurado”. O
ressentimento moral passa a ser inveja de fato quando a pessoa
ressentida é incapaz de colocar suas reivindicações, provando
porque se ressente de ter menos que os outros.
Sobre
a relação entre a inveja e a justiça social, Heider (Apud Tomei,
1994, p.32) aponta que “quando um indivíduo é parecido ou está na
mesma categoria daquele que possui vantagens e é invejado, parecerá
natural, e de algum modo mais justo, se suas quantidades e qualidades
forem equalizadas”. Complementa afirmando que “mesmo nos casos em
que a vantagem do outro pode parecer justa por padrões sociais
objetivos, a privação certamente ferirá o sentimento de
igualdade”.
Apesar
das contradições é importante salientar que a inveja pode ter
características benignas ou construtivas. Isso pode acontecer quando,
por exemplo, um indivíduo deseja adquirir para si qualidades, bens e
posses que admira nos outros, através de seu próprio esforço. Nessa
situação não existe uma relação negativa em relação ao objeto
da inveja; ao contrário, o objeto torna-se um modelo a ser seguido.
Com isso torna-se um sentimento estimulante, aumentando o sentimento
de ambição e a competição saudável para se obter o que se deseja.
Segundo
Tomei (1994, p.39), “a inveja pode ser canalizada para o estímulo e
competição em questões não-materiais, como honra, status e
estima”. Pode-se inferir pelos registros históricos, diferentes
situações geradoras de motivações sociais que podem ter a inveja
como fonte geradora e incentivadora para novos padrões de
comportamento. Enfeitar-se, por exemplo. As sociedades sempre
valorizaram os padrões de beleza, mesmo nas histórias infantis.
Ressalta-se, entretanto, que, mais do que pelo lado físico das
pessoas, a inveja acontece por questões que não podem ser medidas
como as qualidades, virtudes, emoções, sentimentos.
Na
sociedade contemporânea vive-se um momento de questionamento e transição
de valores instituídos. As transformações do contexto interferem
nas relações dos indivíduos no trabalho. Acentua-se o
individualismo, a competitividade em contraposição à solidariedade
crescente e a uma nova responsabilidade social. São filosofias de
vida que se contradizem em sua essência. Com tais transformações
surgem novos valores éticos e morais. Segundo Tomei (1994, p.54),
“a transição social e o processo de mudança ambiental acelerado têm
demandado da sociedade rediscussões constantes do sistema de
valores”.
Os
valores, antes restritos a relações na vida em família, na
comunidade e nas organizações de trabalho, com a globalização
abrangem, além do ambiente, questões da cidadania nacional e
mundial. A inclusão do debate na organização sobre valores sociais,
questões éticas e morais torna-se umas das alternativas não só
para as organizações, mas para a sociedade, para enfrentar as mudanças.
Em
um estudo diagnóstico sobre os ambientes organizacionais brasileiros
Tomei (1994, p.57) descobriu que a inveja está presente, mas deixa de
ser assumida pelos diferentes indivíduos. A autora afirma que
“nesse diagnóstico geral, concluímos que o povo brasileiro não
demonstra a sua inveja, talvez por superstição ou por princípios éticos,
e que as percepções referentes a existência da inveja são ambíguas”
Muitas vezes o sentimento da inveja nasce não da necessidade de ter o
que o outro possui, mas da necessidade de sentir o mesmo prazer que
ele, alcançar o mesmo nível de felicidade. Apesar de que todos os
seres humanos sofrem de inveja, os que são menos desenvolvidos tendem
a senti-la de forma mais intensa. É o que acontece com as crianças,
que não conseguem dissimular esse sentimento. “Assim sendo, podemos
afirmar que a inveja é, de início, inevitável, embora isso não
signifique que não possa e não deva ser superada ao longo da vida”
(id .ib.,p.63). Mesmo sendo um sentimento inerente ao homem, são
poucas as pessoas que chegam a tomar alguma atitude concreta, até
mesmo agressiva, em relação à inveja, normalmente esta não passa
de intenções.
Como
não é possível evitar que as pessoas invejem, deve-se preocupar com
aqueles indivíduos que não conseguem controlar seus sentimentos
prejudicando os demais.
A
inveja pode ser classificada em três categorias:
•
Inveja Sublimada, que inclui indivíduos que sentem inveja mas
conseguem superar esse sentimento, utilizando-o para seu próprio
crescimento. Tais indivíduos admitem as qualidades do seu objeto de
inveja e buscam se superar para alcançar os seus próprios objetivos.
•
Inveja Neurótica. Nesta categoria estão os indivíduos que sentem
inveja e sofrem com isso, sem fazer nada para mudar suas atitudes.
Normalmente são deprimidos, amargos e ansiosos.
•
Inveja Perversa, se refere a indivíduos que são invejosos e que
buscam destruir seu objeto de inveja. São difíceis de se encontrar
em organizações porque ao depreciar seu objeto de inveja acabam por
destruir suas próprias relações de trabalho.
Dentre
outros fatores que podem desencadear processos de inveja estão a
presença de lideranças que representam papéis de heróis ou até de
mitos. A própria existência de mitos e heróis em uma organização
já remete a um modelo de gestão centralizado, que se contrapõe a
uma liderança eficaz. Até o termo liderança, por si só, já nos
remete a grandes líderes da história. Com isso o líder passa a ser
uma figura quase mítica e que propicia atitudes invejosas.
O
mesmo processo de inveja pode ocorrer nas relações interpessoais que
vão se estabelecendo com o poder formal.
Tomei
(1994, p.88) afirma ainda que o sentimento de inveja nas organizações
se concentra nas chefias intermediárias que têm “dificuldades de
ascensão organizacional e o poder de bloquear ou manipular o processo
de informações/comunicações e de decisões”.
A
inveja pode acontecer também entre as diferentes gerações, onde o
mais velho inveja o mais novo por viver a juventude numa época
“mais fácil” e o mais novo inveja a experiência e a maturidade
do mais velho.
Nas
organizações, diferentes estratégias são utilizadas para enfrentar
a questão da inveja – algumas já comentadas. Entre os próprios
indivíduos vão sendo encontradas alternativas para sublimar seus
sentimentos em relação a colegas de trabalho como as estratégias de
projeção e retirada, a desvalorização e a negação.
Entretanto,
como salienta Vries (1996, p.76), as diferentes formas de fazer frente
à inveja podem ser destrutivas ou construtivas. “Sublinhemos que
estas diferentes expressões não se excluem mutuamente, e que elas não
estão tampouco necessariamente fixadas. Uma maneira particular de
conter a inveja evoluirá muitas vezes para uma outra forma segundo a
intensidade do conflito intrapsíquico”.
Ainda
que a inveja possa ser teorizada como um sentimento real nos indivíduos,
estes costumam apresentar atitudes de defesa contra seu próprio
sentimento. Tais atitudes, na gestão organizacional, se não forem
discutidas, analisadas e trabalhadas, podem comprometer o ambiente de
trabalho. Dentre as maneiras destrutivas de fazer frente à inveja
encontram-se: a idealização, onde o objeto invejado é colocado fora
do alcance; a retirada, onde o indivíduo invejoso se torna incapaz de
tolerar seu próprio sentimento – nessa situação o indivíduo
passa também a ter medo do sucesso, desvalorizando-se, para não
objeto de inveja; a desvalorização, quando a pessoa sofredora do
sentimento deprecia o objeto de inveja, movida pelo desejo de vingança,
e nesse caso procura fazer papel de vítima, provocando no outro
sentimento de culpa pelo sucesso obtido; a projeção, onde o invejoso
não assume seu sentimento e atribui o mesmo aos outros; e a negação
e bajulação, nessa situação o indivíduo tem dificuldade de
aceitar seu sentimento e procura bajular o objeto de inveja, porém,
depreciando-o quando da sua ausência.
Para
gerenciar a inveja nas organizações, fazendo que ela se torne um
sentimento saudável, Beck propõe estratégias, como as apresentadas
no quadro a seguir.
|
Fatores
que podem induzir a inveja
|
Fatores
que podem reduzir a indução
da inveja
|
|
Nível
Organizacional |
|
O
individualismo
|
Cooperação
e trabalho em equipes
|
|
As
estruturas fechadas
|
Gestão
participativa
|
|
Os
modelos autoritários
|
Flexibilidade
e autonomia
|
|
Os
privilégios e ostentações
|
Programas
de salários redondos
|
|
A
polarização
|
Participação
de lucros
|
|
A
politização
|
Negociação
de conflitos
|
|
As
mentiras e boatos
|
Avaliação
de mérito e potenciais
|
|
Programas
de salários sem créditos
|
Sistemas
de informação
|
|
Nível
individual |
|
A
busca do sucesso a qualquer preço
|
A
busca do autoconhecimento
|
|
As
estruturas fechadas
|
Gestão
participativa
|
|
As
estratégias de desvalorização
|
A
busca da autovalorização
|
|
As
projeções
|
A
busca da excelência
|
|
A
busca da ostentação
|
A
busca de lideranças
|
|
As
estratégias de negação
|
A
busca do senso da responsabilidade
|
|
A
estratégia de idealização
|
A
busca da reciprocidade
|
Fonte:
Beck (1998, p. 165)
De
acordo com Tomei (1994, p. 113) os indivíduos estão em processo
contínuo de ajustamento, ou seja “um organismo relaciona seu
comportamento interior com as exigências do meio que o cerca”.
Quando
as oportunidades de uma pessoa mudam dentro da organização cria-se
um conflito entre o ajustamento individual e as necessidades/exigências
do grupo. A gerência desse conflito está ligada à gerência dos
sentimentos de inveja.
A
autora afirma que sublimar o sentimento de inveja pode prejudicar
relações dentro das organizações. E que é possível gerenciar
esse sentimento, porém é necessário levar em conta o propósito
de cada organização: “as suas crenças, os seus valores, os seus
comportamentos e o papel da liderança na sua forma de agir” (id.ib.,
p.115).
A
partir de levantamentos de formas depreciativas de como fazer frente
à inveja, como a desvalorização, negação e bajulação entre
outras, a autora discute maneiras construtivas de fazer face a esse
sentimento. Destaca que organizações capazes de criar ambientes
sadios de trabalho, sem a presença de heróis ou mitos, com lideres
eficazes, que não criam competição entre seus subordinados estão
menos propensas a sofrer com a inveja organizacional.
Segundo
Vries (1996, p.82), para vivermos num mundo com menos conflitos
“devemos evitar nos tornar prisioneiros de um equilíbrio interior
ilusório que nos faz viver uma cadeia ininterrupta de autodecepções
geradoras de angústia e tensão”. Complementa o autor que “para
prevenir tal estado de coisas, deve-se transcender a inveja e, para
isso, é preciso dar prova de certa maturidade emotiva que permita a
auto-avaliação, a compaixão, o reconhecimento, a
responsabilidade, o engajamento pessoal”.
Já
Beck (1998, p.169) afirma que é possível se chegar na organização
utópica proposta por Tomei. “Percebe-se (...) que a organização
que possui uma gestão competente e que permeia as suas ações
apoiada numa ética de responsabilidade é capaz de reduzir os
fatores de indução da inveja”. O autor apresenta estratégias
para se atingir a empresa ideal como mudança nos modelos de gestão,
diminuição dos níveis hierárquicos, programas de recursos
humanos que instrumentalizem práticas de valores éticos, de
responsabilidade social. Admite Beck que “esses fatores, colocados
em prática, podem facilitar um clima de excelência pessoal e
organizacional, no qual os comportamentos de inveja sejam
controlados e gerenciados”.
A
questão da inveja, pelas dimensões que pode assumir, torna-se um
dos aspectos relevantes a serem considerados na gestão educacional
tanto escolar como não escolar quando se defende gestão democrática,
autônoma e participativa.
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S. L. (org) Gestão da escola: desafios a enfrentar. Rio de Janeiro:
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*
Doutora
em Filosofia e Ciências da Educação – Universidade Santiago de
Compostela, Espanha. Mestre em Educação, área de concentração
Currículo. Pedagoga, Especialista em Métodos e Técnicas de Ensino.
Docente e pesquisadora de Programa de Pós-Graduação – Mestrado em
Educação e do Curso de Pedagogia da Universidade Tuiuti do Paraná.
**
Graduada
em Administração com habilitação em Hotelaria e especialista em
Metodologia do Ensino Superior. Mestranda em Administração com ênfase
em Gestão de Negócios pela Universidade Estadual de Londrina.
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