“o
homem é um ser político”
Aristóteles
O
slogan, expresso na frase “a educação é sempre um ato político”
é debatido por Saviani em seu livro Escola e Democracia, onde o
autor procura separar a prática pedagógica da prática política,
evitando com isso a dissolução da especificidade do fenômeno
educativo (1997, p. 91).
Para
o autor (ibid), a vinculação do político com o pedagógico, no
sentido de se criar uma identidade única, deverá ser rejeitada,
porem ele reconhece que em duas situações esse slogan está
correto.
Tomando
“político” como um adjetivo da prática social global , onde
todo o ato humano é político, produzindo com isso uma tautologia
do tipo: tudo é tudo, nada é nada.
No
outro momento onde Saviani aceita o slogan, se refere a dimensão
política da educação independentemente de ter ou não ter consciência
disso.
Concluindo,
Saviani afirma que “Com efeito, eu só posso afirmar que a educação
é um ato político (contém uma dimensão política) na medida em
que eu capto determinada prática como sendo primordialmente
educativa e secundariamente política” (1997, p. 101).
Podemos
concluir com isso, que a educação é um ato político a partir do
pressuposto que é um ato humano, ou seja, confirmando Aristóteles
que disse que “o homem é um animal político”, todas as suas ações
são políticas na medida em que são ações tomadas dentro de uma
coletividade, tendo as influências da aplicação dessas ações
também nessa coletividade.
Como
tudo que o homem faz, faz no sentido de estabelecer a sua relação
com outros humanos e com o meio ambiente onde está inserido, isso
também poderá ser entendido como um ato de educação, por estes
atos, passarem a influenciar outras pessoas.
Já
para Veiga, “Político e pedagógico têm assim uma significação
indissociável.” (In,
VEIGA 1995, p. 13).
Veiga
ainda afirma que existe uma reciprocidade na vivência democrática
da escola, onde a dimensão política e a dimensão pedagógica,
coexistem harmoniosamente, ou seja, para que exista uma vivência
democrática é necessária a existência de uma ação política e
pedagógica da escola.
A
escola é um espaço social e democrático, composto pelos alunos e
seus familiares, professores, funcionários e por demais membros da
comunidade.
Quando
o Estado, através de ações políticas coercitivas, ou seja, ações
que impedem ou não estimulação a participação da comunidade
dentro do espaço escolar, não dando oportunidade para que essa
comunidade onde a escola está inserida, de participação direta e
efetiva na elaboração do seu planejamento das ações educacionais
ali produzidas, essas ações passam a ser entendidas como obrigações
ou determinações superiores, inibindo a participação de todos
nos rumos da escola, além de produzir a sensação de que a sua
contribuição não é importante ou não é bem vinda.
O
Estado brasileiro possui um histórico de intervencionismo em todas
as áreas de nossa sociedade, sendo a sua política maior ao longo
de décadas a do assistencialismo, mantendo o cidadão como
“cliente” do Estado, e a sociedade e a educação escolar sobre
controle.
Ao
nosso ver, a única forma eficiente de quebrar essa lógica
perversa, é diminuir a ingerência do Estado sobre os rumos da educação
brasileira, dando autonomia
(ainda que relativa) com gestão
democrática da escola pública (participação efetiva e
intensa de todos os atores que de forma direta ou indireta estão
presentes nas ações educativas decididas pela escola), e com isso,
condições dela se planejar para atender aos anseios da comunidade
da qual faz parte.
A
gestão democrática na escola pública, necessita do envolvimento
político de todos que
a compõem, isso é confirmado por Zilah Veiga, que afirma, “é
preciso desencadear um movimento no sentido de organizar o trabalho
pedagógico com base na concepção de planejamento participativo e
emancipador.” (In, VEIGA1998, p.
124).
A
escola está organizada basicamente em instancias colegiadas tais
como, Conselho Escolar, Conselho de Classe, Associação de Pais e
Mestres (APM) e o Grêmio Estudantil (ibid,
p. 114). A constituição do Conselho
de Escola, que é “um
colegiado formado por todos os segmentos da comunidade escolar: pais
alunos, professores, direção e demais funcionários.” (Ciseki
In, MEC, 1998, p. 49), ao nosso ver é o primeiro passo para a
autonomia e a gestão democrática da escola pública, sendo o
segundo passo, a construção de forma democrática e participativa
do Projeto Político-Pedagógico.
Segundo
Gadotti, “Não se constrói
um projeto sem uma direção política, um norte, um rumo. Por isso,
todo projeto pedagógico da escola é também político.” (In
MEC, 1998, p. 16).
Entendemos
que essa autonomia é relativa, pois a escola ainda está atrelada a
um aparato estatal de rígido controle, onde praticamente todas as
suas ações administrativas e pedagógicas são regulamentadas e
controladas pelos órgãos oficiais de gestão educacional, não
tendo a escola nenhuma ou quase nenhuma autonomia sobre as verbas
escolares e gestão dos recursos humanos a ela afeto. A busca pela
autonomia nessas áreas é ainda uma meta muito distante.
A
escola deve ser um espaço onde todos participem do planejamento e
execução de todas as sua ações, onde o conjunto de valores,
normas e relações obedecem a uma dinâmica singular e viva”
(VEIGA e RESENDE, 1998).
Para
que isso ocorra, é necessário que o planejamento de todas as suas
ações sejam de forma coletiva e democrática, dando a todos que
estão direta ou indiretamente ligados a escola, oportunidade de
participarem da elaboração de um projeto de vida, de um projeto que irá afetar de forma positiva ou
não os destinos de todos que por ele serão influenciados. Citamos
ainda Vasconcellos, que dá grande ênfase ao planejamento
das ações educacionais, afirmando que “cabe ao planejamento a
oportunidade de repensar todo o fazer escolar, como um caminho de
formação dos educadores e dos educandos, bem como de humanização,
de desalienação e de libertação.” (1995, p. 92).
Nesse
sentido,
o
projeto político pedagógico, ao nosso ver,
passa a ser o único instrumento democrático para que a
comunidade escolar possa se organizar e construir dentro de seu espaço,
a sua autonomia, que será o impulsionador da descentralização de
suas ações e o fortalecimento de atitudes democráticas e
comunicativas (CARVALHO e DIOGO, apud,
VEIGA e RESENDE, 1998, p. 113).
A
autonomia e a gestão democrática da escola pública a qual nos
referimos, se faz necessária para a democratização do espaço
escolar e das ações por ela planejada. A montagem do seu plano de
educação com base em um projeto
de vida, ao nosso ver, deve envolver a toda a comunidade,
tornando essa escola um local de educação para todos e não apenas
para os seus alunos, permitindo com isso, mobilizar essa comunidade
na construção de um projeto que permita o surgimento de uma nova
sociedade, onde a sua cultura e os seus valores possam ser
preservados e ensinados, e que todos possam participar dos rumos
dessa nova escola. Para nós, esse projeto é o Projeto Político-Pedagógico.
Reforçando
ainda essa posição da necessidade da comunidade escolar participar
do planejamento educacional, citamos Paulo Freire, onde ele afirma
que:
Todo
o planejamento educacional, para qualquer sociedade, tem que
responder ás marcas e aos valores dessa sociedade. Só assim é que
pode funcionar o processo educativo, ora como força estabilizadora,
ora como fator de mudança. Às vezes, preservando determinadas
formas de cultura. Outras, interferindo no processo histórico,
instrumentalmente. De qualquer modo, para ser autêntico, é necessário
ao processo educativo que se ponha em relação de organicidade com
a contextura da sociedade a que se aplica (2002, p.10)
Por
que consideramos importante manter o nome de Projeto
Político-Pedagógico e não de Projeto
Educativo, ou Projeto de
Escola, ou mesmo Plano
Diretor importante. Porque
a palavra Político no
nome, lembrará a todos que a ação política
ocorre nas relações sociais, porque deverá envolve à todos na
sua construção, porque a ação política tem a capacidade de
aglutinar pessoas entorno de idéias e ideais, porque é
essencialmente uma ação democrática e participativa, porque não
pode ser feito por uma única pessoa ou por um grupo que não
represente a totalidade de vertentes e correntes culturais, sociais
e políticas que estão presentes na comunidade afetadas pela escola
onde esse Projeto Político-Pedagógico está sendo construído.
Pedagógico
por envolver as ações educacionais da escola, do planejamento
pedagógico, da elaboração do currículo, das atividades internas
e externas, enfim, de todas as ações que cominem na “assimilação
do saber historicamente construído e sistematizado pelos homens”
(Saviani, 1997, p. 56).
Podemos
entender que a autonomia é uma questão vital para a gestão democrática
da escola pública, e que ao nosso ver o Projeto
Político-Pedagógico é um instrumento eficiente e capaz de dar
a essa escola pública, condições de se planejar e buscar meios e
aglutinar pessoas e
recursos na concretização desse projeto, que para nós, antes de
tudo é um projeto de
vida, de no mínimo uma geração, que necessita de pessoas
envolvidas na sua construção e execução, que tenham bem
definidas uma visão de homem, uma visão de sociedade
e uma visão de mundo, que tenham bem claro, que homem que essa escola irá formar, para qual sociedade e para qual
mundo, mundo esse que devido ao fenômeno da globalização afeta
qualquer ser humano em qualquer parte do nosso planeta Terra.
Reforçando
o nosso entendimento sobre a importância do Projeto Político–Pedagógico
em ser um instrumento poderoso para a gestão democrática da escola
pública, para a formação da consciência coletiva, para a mudança
de hábitos tanto dos alunos, seus familiares e da comunidade em
geral, e na imersão do homem na vida pública de sua comunidade,
citamos novamente o nosso grande mestre Paulo Freire (2002, p. 96),
que afirma,
O
que importa é que a escola de nossa atualidade eduque seu aluno e
suas famílias no sentido da responsabilidade social e política, de
que somos tão carecentes ainda. Responsabilidade que só se ganha
vivendo. Que só se obtém inserindo em projetos onde seja ela
experimentada.
Autonomia
é uma palavra de origem grega - autonomía
que segundo o Vocabulário Técnico e Critico de Filosofia de André
Lalande, o seu significado etimológico é “...condição
de uma pessoa ou de uma coletividade autônoma, quer dizer, que
determina ela mesma a lei à qual se submete”, na mesma obra,
no sentido Ético, a definição seria “A
autonomia da vontade para Kant é a característica da vontade pura
enquanto ela apenas se determina em virtude da sua própria essência,
quer dizer, unicamente pela forma universal da lei moral, com exclusão
de todo motivo sensível”. Continuando na busca da definição
de autonomia, citamos novamente Lalande, que
afirma que:
Liberdade
moral, enquanto estado de fato, oposto, por um lado, à escravidão
dos impulsos, por outro, à obediência sem críticas à regras de
conduta sugeridas por uma autoridade exterior. ‘É esta servidão
que os homens chamam heteronomia; e eles lhe opõem, com o nome de
autonomia, a liberdade do homem que, pelo esforço da sua própria
reflexão, dá a si mesmo os seus princípios de ação. O indivíduo
autônomo não vive sem regras, mas apenas obedece às regras que
ele escolheu depois de examiná-las;
(1996, p. 115).
Como
podemos observar, o sentido de autônomo, está diretamente
relacionado a liberdade de escolha, ou seja, quem detém autonomia,
tem a prerrogativa de escolher o que deve ou não deve fazer. Outra
característica é o fato da autonomia não isentar as pessoas ou os
grupos, possuírem regras e as segui-las, apenas faculta a escolha
das regras a serem seguidas.
Para
Gadotti e Romão, no Brasil, a autonomia na escola encontra suporte
na própria Constituição, promulgada em 1988, que institui a
“democracia participativa” e cria instrumentos que possibilitam
ao povo exercer o poder “diretamente” e cria instrumentos que
possibilitam ao povo exercer o poder “diretamente” (Art. 1º).
No que se refere à educação, a Constituição de 1988 estabelece
como princípios básicos: o “pluralismo de idéias e de concepções
pedagógicas” e a “gestão democrática do ensino público”
(Art. 206). Esses princípios podem ser considerados como
fundamentos constitucionais da autonomia da escola. (2000, p. 44).
A
nova LDB trata a questão da autonomia no:
Art.
15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas
de educação básica que os integram progressivos graus de
autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira,
observadas as normas gerais de direito financeiro público.
Sousa
e Corrêa, também percebem a questão da autonomia na Lei 9.394/96
– LDB, como sendo parte do trabalho da escola, que são orientados
por cinco eixos (flexibilidade, autonomia, responsabilidade,
planejamento e participação), que devem ser observados na construção
do projeto político-pedagógico da escola, sendo que a autonomia se
fará na pratica cotidiana da escola. (In VIEIRA, 2002, p. 56).
A
escola autônoma, não é uma escola sem regra ou sem controle do
Estado, a escola autônoma que deseja caminhar para se tornar uma
escola cidadã, necessita compreender que a sua autonomia se limita
a estabelecer as regras pelas quais ela será gerida, de forma
democrática, com a participação de todos os atores envolvidos em
suas ações educacionais, porém, essas regras estarão sujeitas a
uma lei maior, que em primeiro lugar é a Constituição Federal e a
LDB vigente, além das normas do Conselho Nacional de Educação –
CNE e do Conselho Estadual de Educação – CEE de seu Estado.
Portanto,
uma escola autônoma, é uma escola que teve a liberdade de montar o
seu Projeto Político-Pedagógico e o seu Regimento Interno de forma
democrática, obedecendo a legislação vigente, mas acima de tudo,
faz desses documentos o seu guia nas suas ações educacionais e
administrativas que norteiam todo o fazer escolar.
Para
Padilha, a palavra autonomia significa dentro da perspectiva da
democracia social “a
possibilidade de aproveitar a liberdade, a inteligência criadora e
a iniciativa no gerenciamento de sua vida individual, familiar e
associativa.” (2001, p.65).
Para
Castro Neves, o conceito de autonomia também está ligado ao de
liberdade e democracia, que segundo a autora são valores inerentes
aos homens. A autora também concorda que autonomia não significa
falta de regras, não é um valor absoluto, fechado em si mesmo, porém
“um valor que se define numa relação de interação social”. (In
VEIGA, 1995, p. 97).
Continuando
a citar a autora, a autonomia serve para encaminhar de forma rápida
e urgente, as soluções que são reclamadas pelos alunos, pais,
professores e direção, na busca de atender as necessidades do
dia-a-dia, na busca da qualidade.
A
autonomia da escola, é pois, um exercício de democratização de
um espaço público: é delegar ao diretor e aos demais agentes
pedagógicos a possibilidade de dar respostas ao cidadão (aluno e
responsável) a quem servem, em vez de encaminha-lo para órgãos
centrais distantes onde ele não é conhecido , muitas vezes, sequer
atendido. A autônima coloca na escola a responsabilidade de prestar
contas e, ao aproximar escola e famílias, é capaz de permitir uma
participação realmente efetiva da comunidade, o que a caracteriza
como uma categoria eminentemente democrática. (CASTRO NEVES, op.
cit., p. 99).
Para
Cavagnari, autonomia da escola pública é uma questão de competência
e compromisso, sendo a competência o elemento fundamental à
conquista da autonomia, se dando na dimensão
política através
do compromisso social de seus profissionais de educação de
ensinar, e ensinar bem a todos. (In
VEIGA e RESENDE, 1998, p. 98).
Segundo
o mesmo autor, “Uma
autonomia que não é dada, mas que se efetiva pela capacidade e
pela responsabilidade da escola e do grupo de educadores de colocar
em ação o seu projeto político-pedagógico” (CAVAGNARI, In
VEIGA e RESENDE, op. cit., p. 98-99).
Para
Saviani, é necessário:
Assegurar
a autonomia das escolas e universidades na elaboração do projeto
político-pedagógico de acordo com as características e
necessidades da comunidade, com financiamento público e gestão
democrática, na perspectiva da consolidação do Sistema Nacional
de Educação (1998, p. 138).
Saviani
afirma ainda que é necessário “Garantir autonomia político-pedagógica
às Instituições de educação básica e superior,
assegurando-lhes condições materiais e financeiras adequadas e
suficientes” (op. cit., 139).
A
escola enquanto um “parelho” do Estado, visa reproduzir as relações
sociais de produção, dificultando com isso a sua autonomia política,
onde a educação de qualidade ira buscar a superação dessas relações
sociais de produção. Para Martins,
Há
um consenso sobre a necessidade de a escola ser autônoma, pois a
construção e o exercício da autonomia incentivam o pluralismo de
idéias, o respeito às diferenças e a emergência de atores
sociais criativos e responsáveis (In
OLIVEIRA e ROSAR, 2002, p. 120).
Gadotti
acredita que “A autonomia e a gestão democrática da escola fazem
parte da própria natureza do ato pedagógico. A gestão democrática
da escola é, portanto, uma exigência de seu projeto político-pedagógico.”
(In MEC,
1998, p. 17).
Para
Sousa e Corrêa,
Ao
procurar articular tais demandas, o projeto pedagógico necessita
escutar o que a prática dos sujeitos que o constroem tema dizer, ao
mesmo tempo em que deve amadurecer neles a idéia de que o princípio
de autonomia implica o compromisso de decidir e assumir ações
coletivas no âmbito da escola (In
VIEIRA, 2002, p. 52).
Para
Vasconcelos, a autonomia precisa ser vista com cuidado, pois ao
poder público transferir para a escola a responsabilidade da
elaboração do seu projeto político-pedagógico, transfere também
a questão do seu sucesso ou fracasso, podendo ser uma estratégia
de descompromisso e de transferência de responsabilidade por parte
do Estado. (2000, p.
173).
Não
devemos pressupor, no entanto,
que a autonomia desejada por nós seja a que isole a escola
da sociedade, que a mantenha como uma célula social que pensa e age
sem um sentido de unidade. A liberdade conquistada pela autonomia
deverá ser no sentido de permitir que ela dirija o seu destino
através das decisões tomadas de forma participativa e democrática,
porém fundamentada nas legislações a que a escola está
subordinada.
Para
Gadotti e Romão, “A ampliação
da autonomia da escola não pode opor-se à unidade do sistema. Deve-se pensar o sistema de ensino como uma
unidade descentralizada. Descentralização
e autonomia caminham
juntas.” (2000, p. 47).
A
autonomia desejada é a que permite a escola escolher os seus rumos,
decidir o seu futuro, dentro de uma unidade nacional, respeitando as
leis e normas da educação nos seus três níveis administrativos
– Federal, Estadual e Municipal. A gestão democrática da escola
pública é o caminho mais seguro para a sua autonomia e para a sua
concretização como uma escola cidadã.
Para
Padilha, “A autonomia , na
escola cidadã, pressupõe, pois, a alteridade, a participação, a
liberdade de expressão, o trabalho coletivo na sala de aula, na
sala de professores, na escola e fora dela.” (2001, p. 65).
A
razão fim da busca pela autonomia escolar, rumo a escola cidadã.,
deverá ser a da qualidade do ensino e da formação moral e cívica
de todos os seus atores, que sentindo a sua importância no fazer
escolar, possa com isso buscar a sua inserção nos demais
“aparelhos” do Estado, e nos rumos de nossa sociedade.
Nesse
sentido, Padilha afirma ainda que
a
escola projetada com base na referida autonomia tem a finalidade de
formar seus educandos para a vida, para o trabalho, para a construção
de relações humanas e sociais civilizadas, justas e
éticas para o exercício
e a prática da cidadania crítica e ativa e para resistir a
toda forma de exclusão (ibidi.,
p. 65).
A
qualidade no ensino, é o ponto central de qualquer proposta para a
escola pública. Abordamos nesse artigo, as questões relacionadas
ao Projeto Político-Pedagógico, como um instrumento de gestão
democrática na escola pública.
Para
Veiga, “A qualidade que se busca implica dimensões indissociáveis: a formal
ou técnica e a política. Uma não está subordinada à outra; cada
uma delas tem perspectivas próprias.” (In,
VEIGA, 1995, p. 16).
Observamos
até aqui, que os autores citados, buscam dar uma dimensão política
ao ato pedagógico, enquanto fazer escolar, buscando com isso, que
se tenha uma intencionalidade no planejamento escolar e que essa
intencionalidade possibilite o engajamento de todos os atores
envolvidos nas ações educacionais.
Portanto,
o político e o pedagógico, sempre deverão andar juntos, quando se
tratar de uma ação intencional de educação escolar.
REFERÊNCIAS
LALANDE,
André. Vocabulário técnico
e crítico da filosofia.
2. ed. São Paulo : Martins Fontes, 1996.
MEC
– Secretaria de Ensino a Distância.
Salto para o
futuro: construindo uma escola cidadã.
Brasília: MEC/SEED, 1998.
PADILHA,
Paulo Roberto. Planejamento
Dialógico: como construir o projeto político-pedagógico
da escola. São Paulo:
Cortez; Instituto Paulo Freire, 2001.
SAVIANI,
Dermeval. Escola
e democracia: teorias da educação, curvatura da vara,
onze teses sobre educação e política.
31. ed. Campinas:
Autores Associados, 1997.
______.
Da nova LDB ao
novo plano nacional de educação: por uma outra política
educacional. Campinas:
Autores Associados, 1998.
VASCONCELOS,
Celso dos S. Planejamento:
projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico.
7. ed. São Paulo: Libertad, 2000.
VEIGA,
Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico
da escola: uma construção possível.
11. ed. Campinas: Papirus, 1995.
VEIGA,
Ilma Passos Alencastro; RESENDE, Lúcia Maria Gonçalves (Orgs.).
Escola:
espaço do projeto político-pedagógico.
Campinas: Papirus, 1998.