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Título: Novas Possibilidades na Interface Cinema/TV: de Lavoura Arcaica a Pedra do Reino, de Luiz Fernando Carvalho.
Período: 2008-2010
Resumo: Investigação em torno das minisséries de Luiz Fernando Carvalho, em confronto com sua produção fílmica, em especial o longa-metragem Lavoura Arcaica (2002), em vista da possibilidade de que novas configurações narrativas tenham sido introduzidas pelo diretor.
Descrição: O projeto se insere num percurso de reconceituação do pós-modernismo e de seu mapeamento nos meios audiovisuais. Será examinada a produção recente do diretor Luiz Fernando Carvalho, do filme Lavoura Arcaica (2002) às minisséries Hoje é Dia de Maria (2005) e A Pedra do Reino (2007), a fim de definir as novas configurações narrativas que foram introduzidas por essa produção televisual e que papel nelas teriam possíveis matrizes cinematográficas. Investiga-se a hipótese de que a produção ficcional da TV brasileira deixa paulatinamente para trás o convencionalismo clássico, hegemônico tanto na produção nacional quanto na de outros países. Com base na moderna teoria da narrativa (David Bordwell, Kristin Thompson), a análise poderá indicar a ocorrência de formatos provenientes do universo cinematográfico. Em A Pedra do Reino, ocorre uma profusão tipicamente modernista de estruturas de agressão (Noël Burch), quebrando-se sucessivamente as expectativas do público afeito à narração clássica. Por outro lado, a análise poderá também revelar a intensa combinação das mesmas estruturas de agressão com elementos provenientes do repertório do grande público (cultural oral e cultura midiática, por exemplo, filmes hollywoodianos), em busca da alta comunicabilidade com o público. Neste segundo caso, configurar-se-ia a combinação paradoxal pós-modernista (Linda Hutcheon), constatável na composição fake e narrativamente sofisticada de Hoje é Dia de Maria. Em ambos os casos, foram utilizados schemata (Bordwell) talvez inusitados na TV brasileira, mas que podem ser encontrados em realizações cinematográficas das décadas de sessenta a oitenta. A conjugação de matrizes cinematográficas, de fundo modernista e pós-modernista, com avanços tecnológicos e recursos de linguagem conquistados no âmbito televisual tem resultado em realizações não previstas pelas teorias do audiovisual aceitas nas últimas décadas. Desse modo, na interface cinema/TV ocorreriam encontros e colisões estilísticas num nível de experimentação nada usual na história da televisão, atingindo-se uma audiência que, embora baixa para o padrão da Rede Globo, chega a um número de espectadores hoje inatingível pelo cinema brasileiro e nada desprezível em termos de repercussão cultural. Caso se sustente a hipótese apontada, estaria havendo no interior da produção audiovisual de cunho mais claramente industrial e mais bem-sucedida desde o início das transmissões televisuais no país uma renovação de paradigma que deve ser bem avaliada. A herança da tradição crítica modernista, ainda preponderante na crítica acadêmica voltada para o cinema, costuma levar à defesa da idéia oposta, ou seja, a de que a produção da TV brasileira é inteiramente marcada pelo convencionalismo de linguagem, proposição que, embora tenha sido válida em alguma época, seria hoje insustentável em função de programas como os acima referidos.
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